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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ele está chegando

 
    Os meses passando e eu feliz, trabalhando e estudando... Aquela velha rotina de sempre, mas um calafrio sempre me assombrava. Ele estava chegando. Eu o conhecia muito bem, pois já nos encontramos pelo menos 27 vezes, mesmo, assim, sempre tive aquele medo. Ele era muito frio com todos, mesmo, assim, alguns gostavam dele, outros simplesmente, assim, como eu, o odiavam. Finalmente estava chegando o grande dia, ia encontrá-lo mais uma vez amanhã. Já acordei todo tenso, me arrumei e fui trabalhar. Passei no supermercado comprar uma lata de salsichas, pois amanhã era o grande dia, então, hoje teria que ser especial. Tomei aquele café quentinho preparado pela “tia”, com um pão francês recheado com as salsichas enlatadas.

    - Que nojo essas salsichas. Balbuciava uma colega de trabalho.

    Outro pediu licença e pegou uma das salsichas. O ambiente era acostumado com pão com margarina, que as salsichas acabaram virando pauta do dia em todo o trabalho. Não era para menos, tudo o que é diferente chama atenção. Não liguei, afinal, digam o que quiser, eu gosto.

    - Na minha sala agora. – Já não bastava amanhã que iria me encontrar com ele, ainda meu chefe me chama com voz de bravo para a sala dele, o que seria?

    - Pronto.

    - Que? Há, liguei errado.

    Segue o dia, trabalhos e mais trabalhos. Ainda encontrei tempo livre para ajustar algumas atividades da faculdade, já era quase meio dia. Hora do almoço, bateu aquele sorriso. De repente a tristeza, já era quase hora dele chegar.

    Hoje fui trabalhar a pé, então pude ligar para a namorada durante o trajeto de casa. TU TU TU TU – Deixe seu recado sem pagar nada após o sss. – Odeio essa operadora.

    Chegando em casa, minha mãe também sabia que ele chegaria amanhã, não sei se fez o almoço pensando nisso ou não, mas não gostei muito. Sopa nunca foi dos meus pratos preferidos. Mas aquele barulho do meu pai chupando o caldo da sopa me incomodava bastante. Meu pai também não gostava de sopa, mas estava feliz, ele tinha um hábito de gostar de coisas que ninguém gostava.

    - Hoje tem sobremesa! – Dizia meu pai sorrindo.

    - Oba! – Já se alegrava meu irmão.

    Ninguém parecia se importar muito com quem estava para chegar amanhã, mas tudo bem, curtindo o momento já perguntei se a sobremesa era chocolate. Mas não, era gelatina. Me senti em um hospital, tomando canja, comendo gelatina e com o nariz escorrendo. Podia ser minha renite ou quem sabe a tensão de ele estar chegando?

    Voltando para o trabalho, mais um dia rotineiro, assim como foi ontem, também como será amanhã. Apesar de rotineiro, o tempo passa rápido quando você gosta de alguma coisa. Assim que deu 18 horas, peguei o carro e já fui em direção a faculdade. – Sim, fui trabalhar de carro a tarde, pois precisava ir mais cedo para a faculdade, umas regras idiotas sobre devolver equipamentos antes das 19 horas. O que faz perder minha janta. Mas tudo bem, não importa. Passei a aula toda com calafrios, ele estava chegando.

    Cheguei em casa, tomei banho e fui direto dormir, pensando em todo o sofrimento que seria depois que ele chegasse. Não havia nada que pudesse ser feito quanto a isso, ele chegaria. Apesar de tudo, dormi rápido. Acordei todo babado, levantei e fui logo me arrumar, era o grande dia. Para todos, um dia normal, para mim, ele havia chegado. A rotina precisava ser mantida, peguei um casaco a mais e fui para o trabalho. Na frente de casa tem daqueles reloginhos publicitários que todo mundo adora.

    - Meu Deus que frio, dois graus! – O inverno havia chegado.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Final dos sonhos



Todos os fins me levam às séries americanas. O triste é quando os fins são nas séries americanas, nas minhas.
A série que estava alimentando minhas noites de domingo e inspirando as composições no meu armário ao som de Betty Davis foi cancelada.
Sophia Amoruso anunciou na última sexta-feira (24), o cancelamento de Girlboss, teoricamente uma série sobre a vida dela.
“Então, a série da Netflix sobre a minha vida foi cancelada. Enquanto estou orguhosa do trabalho que fizemos, estou ansiosa para controlar minha narrativa de agora em diante. Foi uma boa série e tive o privilégio de trabalhar com talentos incríveis, mas viver minha vida como uma caricatura, mesmo que por dois meses, foi difícil”.
E é isso. Não se sabe exatamente o que aconteceu. Se por motivos de audiência ou se Sophia quis encerrar prematuramente a história de apenas uma temporada. Parece uma atitude egoísta que a protagonista tomaria. Não que eles não pudessem continuar de forma alternativa já que se trata de
uma leitura “muito, muito livre dos fatos”.
Essa ruptura forçada com as jaquetas de couro, franjinha no cabelo e influências do glam rock me desanimou. Não só pelo fim da série, mas pelo desgaste da vida dos sonhos do meu inconsciente.
Sophia, a personagem, - talvez a verdadeira também – estava solta na vida, desiludida e nenhum um pouco disposta a se adaptar (como eu também não estou, não totalmente), mas aprendeu muito ao longo dos episódios.
Aprendeu sobre si mesma, passou muito perrengue, começou a vender roupas vintage no Ebay e criou um império multi-milionário sem ter “se adaptar” ao “mercado”.
Até acreditei nessa bobagem, mas pesquisando sobre a história por trás da série, descobri que a Nasty Gal – loja que ela abriu no Ebay e transformou em patrimônio – faliu. Eu que acredito muito forte no que me convém pensei, tudo bem, sucesso é relativo. Ela pode ter tirado muitas lições disso tudo.
Bobagem! Me resta continuar acreditando no que me convém até que eu aprenda e pensar que os fins não tem moldes.
Voltando aos meus finais, das séries. Eis os que me entristecem. Os que são fim antes de ser, ou seja, quando os produtores começam a encher a trama de retalhos só para segurar a audiência e minha relação com os personagens vai ficando enfraquecida. Eu já sei que acabou mesmo antes do decreto final. Afinal, o Dean vai matar quem depois do próprio Lúcifer?
Tem também os finais em que a série acaba, mas dentro de mim ela continua porque não foi satisfatório. De imediato penso: Vocês me fizeram perder todo esse tempo da minha vida? Depois perco muito mais tempo pensando em possíveis desfechos. E, dos finais, o pior: os abruptos.

O dia final


[...] Ela tinha dezoito anos, um marido de vinte e três e uma filha de dez meses.
Um dia como todos os outros, a tarde tinha aspecto bom, clima agradável e a casa da família precisava de alguns produtos da mercearia. O marido, comerciante de peixes na região, havia terminado sua lida diária. Com o carrinho adaptado que portava os peixes pescados por ele mesmo, subia pela rua de sua casa e finalizava suas vendas. Missão cumprida, ele foi a seu lar mimar a pequena criança que recém havia nascido... sua pequena filha.
Ao chegar a casa e constatar a falta dos produtos, subira até a mercearia mais próxima de sua residência. Ele sempre ia lá. Como quem esperava a despedida, pegou a criança em seus braços, beijou e a colocou no berço. Uma bitoca em sua esposa e a frase “fique com Deus”. Dirigiu-se a pé até o local. O lugar onde a fatalidade viria ocorrer.
Uma mercearia há uma quadra de sua casa, um bar. Homens jogavam baralho, ele não deixou de se sentar para tomar a merecida breja e se juntar ao jogo. Discussões ocorreram, mesas, cadeiras e garrafas de cerveja foram ao alto e o dono do estabelecimento contatou a policia local.
O marido dela se retira da mercearia. Lá fora, já a caminho de sua casa, de costas e com sacolas de compra nas mãos é atingido na nuca por duas balas disparadas. As balas atravessaram seu crânio e violentamente perfuraram sua testa. O som dos disparos ela pode ouvir. A criança chorou. A rua chorou, e o clima do dia que era bom, se configurou em tristeza e lamento.
Ela dezoito anos, a pequena menina dez meses. E agora? Indefesas e sem meios de saída. O mundo daquela jovem mulher mãe já não era mais colorido. Problemas e medos a colocaram em duvida para consigo mesma. No entanto, os dias passavam e sua única certeza era de que ela precisava vencer. Pés no chão, ela seguiu firme. Sem marido, sem alento, somente com a filha. Ela seguiu.

Era corajosa. Era mulher e era mãe.   

Democracia Ateniense: “só sei que nada sei”, diz o acusado


“Pena capital é o que ele merece!”, “Cicuta nele!”, “Vá e leve Xantira junto!”, foram algumas das frases que compunham o julgamento nesta segunda-feira, 399 a.C. na tribuna popular de Atenas.
Sócrates, o acusado pelo povo de Atenas, foi julgado pelo júri na manhã de hoje. Segundo o parlamento, as acusações ocorrem de que Sócrates não reconhece os deuses do Estado, introduz novas divindades e corrompe a juventude.
O acusado, famoso por sua habilidade com as palavras, construía questões como apoio para que fosse absolvido. “Não seria injusto me julgar injustamente?”, perguntava Sócrates a todo o momento.
Para Sócrates, os motivos que levavam os jovens a decadência era o sistema. “É tudo culpa do PT”, exclamava.
 Segundo acusadores, Sócrates estaria tentando desvirtuar os jovens. “Meu filho chegou em casa falando que tinha ouvido esse tal de Sócrates dizer que os deuses não existiam, e me pedindo se isso era verdade” disse Medéia, que concluiu: “chega de deixar este homem corromper nossos filhos, ele é uma ameaça!”.
Conforme testemunhas, Sócrates esperava os jovens que saiam do ócio escolar, e os levava para discussões, criticando governo e sistema. “É um covarde, fica falando um monte de besteira e não assume o que fez”, ressaltou Edésio, que disse ter visto Sócrates conversando com jovens em uma praça próxima à escola de Atenas, “é claro que ele estava enchendo a cabeça dos jovens de conversa fiada”, complementou.
Alguns atenienses no local se revoltaram com Platão, o juiz, alegando que Sócrates não era culpado causou alvoroço e insatisfação no tribunal, sendo expulso por fim e destinado a escrever diálogos pelo restante de sua vida.

Contudo, as acusações sobre Sócrates pesaram mais no veredicto final do Júri. O réu foi condenado à morte, e sabendo de que nada sabia morre bebendo um cálice de Cicuta.  

A espera do seu encontro


Durante muito tempo, vivi me mudando de cidade para cidade, uma pior que a outra. Alguns amigos deixei por aí, tive amores, lágrimas e sorrisos, porém, me pergunto, às vezes: onde é o meu lugar?
Atualmente, já não tenho tanta pressa em buscar um lugar que me complete e me satisfaça. Descobri que a plenitude vem partir das pequenas coisas. São gestos, atitudes simples, pessoas do dia a dia que me fazem perceber o quão importante é viver de forma simples, sem esperar muito pelo que o futuro tem para mim.
O apartamento que aluguei há quatro meses em um condomínio próximo do centro é pacato, de gente como a gente, que está na correria dia sim, no outro também, buscando se satisfazer assim com eu tentei por muitos anos. Do 6º andar olho pela janela e passo por vielas e avenidas que nunca me havia deparado, sem saber ao certo o que procuro.

Até encontrar por acaso o que realmente preciso para me fazer um ser completo, tentando me perguntar se haverá, de fato, um lugar dos sonhos, onde viverei os meus dias até o fim deles. Talvez quando encontrar, eu tenha um nome, um endereço, um mapa ou qualquer coisa que me faça respirar como nunca antes, imaginando o dia que poderei em fim, viver ao seu lado meu amor.

O santo bateu até demais

Era bom demais para ser verdade. O último dos soldados foi atingido. Confesso, acho que dessa vez não tem volta, me apaixonei.
Essa garota é realmente única, ao menos nunca tinha visto uma assim, parece que eu a desenhei, não pode ser coincidência, ela é tudo que um dia eu desejei: morena, 1 e 60 poucos de altura, bonita? Acho que sim, eu nem me importava mais, preferia o all star ao salto, rockeira e ainda canta e o mais surpreendente, gosta de futebol e videogame, ah esqueci, ela ainda sabe dançar, eu realmente fiquei em choque depois de descobrir tudo isso nela.

É claro que o velho coração latejou diferente, sei lá, dizem que a paixão nos cega, eu fui saber só quando me dei conta que não enxergava outra coisa a não ser ela. Os dias foram passando, a cada minuto aquele sentimento crescia mais e mais, até que eu descobri que a gente combinava até mais do que deveria. Ela também gostava de meninas.

Saudades do Orkut

Eu não sou assim tão saudosista, sou daqueles que pensam mais no futuro do que no passado, mas se tratando das tais redes sociais não tem como não sentir saudades do Orkut.
Para mim, o Orkut sempre será a melhor rede social da história do mundo! Hoje as redes sociais estão cheias de confronto de egos. As pessoas postam fotos, notícias repletas de inverdades, tudo pelas curtidas ou seguidores; fotos que se dissolvem em dez segundos e nunca mais serão vistas.
O Orkut teve seu auge entre 2005 e 2011, chegando a ter 29 milhões de usuários no Brasil. Eu era um daqueles que se recusava a usar o Facebook, simplesmente porque sentia que não precisava daquilo, que o Orkut era realmente melhor. Porém, pela sensação de estar ali sozinho, sendo que todos os meus amigos já tinham se migrado para o “face”, fui convencido a mudar de plataforma, mas durante alguns meses eu ainda loguei no Orkut pra ver se alguém tinha deixado algum scrap.
Scrap, sorte do dia, depoimentos, comunidades, Buddy Poke e tantas outras funções. Se você era jovem demais entre os anos do auge do Orkut, essas palavras podem não trazer um impacto para você, mas para nós – a geração dos 2000 - essas coisas que parecem tão bobas faziam nossa alegria. O diferencial que o Orkut tinha para mim é justamente isso: a maioria estava ali só pela zoeira, pela alegria.
Acordar e ter a “Sorte do Dia” para ler. O Orkut era conselheiro, recebíamos diariamente mensagens inspiradoras do tipo “Quer ser amado, seja amável”; os textões do “face” os quais hoje sou adepto, mas que são criticados pela maioria dos usuários, no Orkut eram muitos cobiçados e aguardados, seja de parentes, amigos, paqueras. Contudo, era um sistema que falhava. Às vezes o usuário mandava um segredo via depoimento e por engano (ou não) era aceito e aquilo acabava se tornando público.
O Orkut também entregava as “Stalkeadas”; caso você visitasse um perfil a pessoa saberia inclusive a contagem de visitas da semana. Alguns iam tirar satisfação, “Me visita e não me adiciona”, “Me adiciona e não deixa scrap”. Scraps eram recados públicos, ficava lá para todo mundo ver. Uns preferiam deixar a contagem para mostrar a popularidade, outros não tão populares mantinham a caixa de recados vazia.
Durante o período do auge, o Orkut revolucionou o mundo ao criar o Buddy Puke. Um aplicativo com gráficos estranhos que permitia aos usuários a criação de um personagem que em tese era para seu o “avatar”. A melhor parte era a interação com outros amigos, coisas como: dar abraços de urso, rosas, cutucar e até dar beijos. Logicamente polêmicas não faltavam.
Eu não acordava cedo por nada nessa vida, o Orkut me faz mudar isso para evitar furtos na Colheita Feliz.  A Colheita Feliz foi um simulador de fazenda em tempo real. O jogo permitia que os membros do Orkut cuidassem de uma fazenda virtual. Plantar, cultivar, além de criar animais. Passávamos horas plantando, colhendo e também roubando nossos amiguinhos.
E por fim, não poderia deixar de falar no que para mim era maior atrativo do Orkut, e o que me causa esse sentimento nostálgico as comunidades do Orkut. Tinha de tudo ali, tudo mesmo! Quem não se lembra das páginas “Eu Odeio Acordar Cedo” ou “Tocava Campainha e Corria”? Era o lugar para trocar ideias e conhecer gente nova, as páginas mostravam como a gente era. Elas ficavam explicitas, todas elas, a gente não ligava e a maioria não fazia nenhum sentido. No entanto, parte do legado do Orkut permanece online: o Google mantém no ar o acervo das comunidades da rede social, caso você queira matar essa saudade.
Infelizmente, o Orkut chegou ao fim. Em 30 de setembro de 2014, o homem que criou e deu o próprio nome a rede social Orkut Büyükkökten anunciou a extinção. Na época o Brasil chegou a reunir 88 mil assinaturas em um abaixo-assinado para que a decisão fosse revogada, mas isso não aconteceu. O Orkut deu seu último suspiro em uma tarde de terça feira.

A nós fica a nostalgia de lembrar tantas alegrias que vivemos naqueles dias. Nós crescemos e a tecnologia dia após dia nos proporciona novas coisas, uma avalanche de novidades a todo instantes, mas no fundo os “Orkuteiros” queriam mesmo era voltar no tempo e viver num mundo sem tantas hashtags. Saudades Orkut!

O Reencontro

Nem acredito que te encontrareis...
Sabe?... Eu já tinha perdido as esperanças em ter você comigo. Mais de seis anos sonhando com você, sonhando em sair contigo, ir às lojas, comprar presentes, ser feliz...
Tudo isso porque a minha felicidade vem de você!
Quando a conheci não fazia ideia da falta que você faria, afinal, isto eu só percebia mês a mês.
O sentimento foi crescendo, com juros e correções. Bastaram apenas dois anos e eu não me via mais sem você. Comecei a fazer planos, pensar em férias, quem sabe comprar um carro. Antes de você eu não pensava nessas coisas, mas você estava me fazendo planejar a vida de outra forma.
Mas o mundo dá voltas... brigas - as vezes - são inevitáveis.
Não houve traição, talvez tenha sido o desgaste pelo tempo, eu juro que tentei lhe trazer comigo. Juro que tentei fazer tudo pra fugir com você, mas não deu.
Como diz o ditado “A vida é uma caixinha de surpresas”, eu sinceramente tinha perdido as esperanças em te ter, ver-te, sentir-te, usar-te.
Já tinha se passado dois anos quando recebi a notícia que pela internet que poderíamos nos encontrar. E aconteceu, agora conto os dias pra ter você em meus braços. Sei que será pouco tempo, mas você vai consertar tantas coisas.
Agora finalmente vamos tem um final feliz.

FGTS inativo, como você falta aqui. Você não tem ideia, chegue logo, porque quero e preciso lhe usar.

Obrigado Daniel!!!

Brasil o páis do futebol. Terra de craques como Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Neymar e tantos outros que dão alegria uma grande parte da nação que ama esse esporte. Pra quem vive o futebol  assim como eu, ele não é apenas um jogo mas, sim, nossa vida, nossa alegria e nossa fé,  que foi fortamente abalada no dia 8 de julho de 2014.
            Terça-Feira. Estádio Mineirão. Semi-final da Copa do Mundo. Brasil 1x7 Alemanha, um dia para se esquecer. Brasil eliminado da Copa dentro de casa, não só eliminado, mas, humilhado. Crianças choravam, homens e mulheres todos fomos crianças, futebol brasileiro teve sua história manchada, um pedaço de nós morreu. Perdemos o chão, perdemos o ar. Muitos decidiram abandonar a seleção e o futebol.
            Depois de quase três anos, o futebol nacional dia após dia luta para esquecer do fadítico e curar as cicatrizes. Graças a um torcedor solitário ajudou o futebol brasileiro a respirar novamente. Daniel Oliveira 19 anos enfretou uma verdadeira saga para acompanhar seu time do coração, como ele mesmo diz é um amor sem divisão. Torcedor do Angra dos Reis da terceira divisão do campeonato carioica, deixou Angra dos Reis às 8h, pegou dois ônibus e uma van e ainda caminhou até Olaria, na Zona Norte do Rio, a quase 150km e sete horasde estrada numa segunda feira de folga, onde a maioira ficaria em casa descansando e viu seu time vencer por 4x0 e solitário.
Daniel foi o único torcedor do Angra presente no estádio. Comemorou os gols e gritou olé sozinho, brigou com o presidente do Ceres (time adversário) e e voltou para casa com a vitória e os três pontos na mochila.
Um exemplo do amor, longe dos holofotes, podia estar sozinho, mas, em momento algum reclamou ou deixou de apoiar, nos mostrou que o futebol raiz ainda respira. Que a geração 7x1 pegue esse jovem de exemplo, alguém ama vive o futebol, porque o nosso amor, não tem divisão. Amor não se explica, amor se vive. Obrigado Daniel.

            

O mundo e nós

- Oi eu sou o mundo. Eu preciso muito da sua ajuda. Você pode me ajudar?
- Não posso. Tenho só três anos, sou uma criança, mal sei andar e falar.
- Agora você pode?
- Não! Acabei de fazer 10 anos, quero jogar bola com meus amigos, mais tarde eu ajudo moço.
 - Agora?
- Tenho 15 anos, tô namorando, tenho que dar atenção para ela, você me entende né?
- Oi, tem um tempinho para mim agora?
- Ah devo ter, tenho tempo nem para mim, entrei na faculdade, só trabalho, trabalho, trabalho. Não dá!
- Amigo, tem um tempo?
- Primeiro não sou teu amigo, segundo não tenho, não tem como ter, arrumei, um emprego na minha área, to terminado meu TCC e minha namorada quer casar. Vai tentando vamos agendar...
- E agora?
- Agora, casei! Vida nova! Tenho uma casa pra sustentar, meu tempo é pra isso, preciso de um emprego melhor, sabe me indicar um lugar?
- Não sei, mas e aquela ajuda?
- Cara, sou pai, e pra completar de gêmeos, queria muito, mas, agora meu tempo que sobra eu tenho que dormir, creio que logo consigo resolver seu lado. Não desista, vamos resolver.
- Boa tarde, lembra de mim? Faz um tempo que pedi uma ajuda, você se recorda?
- Claro que sim! Mas hoje não dá. Formatura dos meus filhos. Dia mais feliz na minha vida, mas a gente se fala depois.
- Com licença, já é depois?
- Não acredito, parece que você só aparece quando tenho compromisso. Batizado do meu primeiro neto quer nos acompanhar?
- Melhor não, volto outra hora.
- Volte mesmo
- Voltei, consegue me ajudar.
- Não dá. Tô velho, mal posso andar, o jeito é esperar a morte me buscar.
- Oi, como você está?
- Morto. A morte veio me buscar. Agora tenho um tempo. O que você precisa?
- Agora não preciso. Depois de morrer você não consegue mais fazer algo pelo mundo. Adeus!


Por que respiro?

Respiro porque tenho pulmões.
Respiro a felicidade, respiro a alegria.
Respiro, porque tenho um novo dia a vencer.
Respiro a esperança de uma vida melhor.
Respiro, porque tem pessoas que precisam de mim.
Respiro uma canção nova todo o dia.
Respiro, porque ninguém pode fazer no meu lugar.
Respiro e sinto perfumes doces.
Respiro, porque o dever me chama.
Respiro e suspiro ao ver olhar de uma criança.
Respiro, porque tenho sonhos.
Respiro fundo porque fiquei nervoso.
Respiro novamente pra me acalmar.
Respiro rápido porque estou cansado.
Cansei demais, não estou conseguindo respirar direito.
Respirei com calma e recuperei.
Respiro tanto que nem percebo.
Respiro todo dia sem sossego.
Respiro, porque preciso ter fôlego para ir mais longe.
Respiro com suspiro é amor.
Respiro e mastigo o suspiro, agora é o doce.
Respiro de novo e repito o porquê: Ninguém vai fazer isso por mim
Respirei ontem, respiro hoje, não sei se vou conseguir amanhã.
Mas antes de tudo,

Respiro porque se não respirar eu morro.

Desliga a televisão

Sentando em casa, meu dia de folga, tudo calmo e tranquilo, bebendo meu café e assistindo calmamente o jornal favorito, então, eis que vejo o tal homem mais poderoso do mundo, Donald Trump insinuar que o aquecimento global não existe, que é uma invenção da impressa. Aquilo me fez realmente pensar mais no meio ambiente, principalmente, em cuidar dele, já que aquele que teria influência para fazer uma medida que colaborasse em grande escala para isso, não faz. Pelo menos, para mim, ele fez a diferença, desliguei a televisão na hora, indiretamente, o presidente dos Estados Unidos fez com que eu encomissasse energia elétrica.
Com isso, abri a janela e tomei da vitamina que estava me fazendo falta. Vitamina D, o sol. Com isso, imediatamente apaguei todas as luzes e tirei quase todos os aparelhos elétricos da tomada, deixei só a geladeira para minha cervejinha não esquentar e fiz algo que não fazia a muito tempo, pisei com os pés descalços na grama. Parece uma coisa tão simples, mas é de grande valor, tanto para mim quanto para o meio ambiente.
Se todas as pessoas em seus dias de folga fizessem isso, apagassem as luzes e tirassem os aparelhos das tomadas, além de economizar na conta da energia, poderiam poupar em muito o nosso meio ambiente.
Conselho de vida, uso filt.., não, não! Saia de casa, pegue seu cachorro e brinque com ele em um parque, não deixe que seu dia folga aconteça dentro de muros de pedra. Liberte-se, aproveite a vida, pode ser que amanhã, talvez aquele parque não esteja mais ali.

Pequenas atitudes fazem a diferença, principalmente, quando o beneficiado é o meio ambiente. Cuide dele enquanto é tempo. Desliga a televisão e vai para o parque.

Nunca mais

Que mundo barulhento! Sons de carros passando, buzinas, gente falando alto e com pressa. A música até nos fones de ouvidos dá para se ouvir de longe, estão mais para auto-falantes. Eu não conseguia mais me ouvir, tive que fazer uma mudança, troquei os fones de ouvido por tampões. Isso mesmo, tampões, aqueles cor laranja que os operários usam nas fábricas.
Caramba! Eu já tinha esquecido como era a voz da minha consciência, ela me fez falta, eu pude novamente ouvi-la e me senti em paz. Ser um bom ouvinte demanda tempo, mas, para se ouvir não há pressa, para ouvir os outros nunca se têm tempo.
Ao conversar com minha consciência, estranhamente me deparei que ela me pedia para que eu voltasse a ouvir o mundo.
Como assim? Por quê? Eu deixei de ouvir todo o mundo para ouvi-la!
Nesse instante compreendi que não se pode nunca desperdiçar a oportunidade de ouvir. Ao tirar os tampões o mundo que antes parecia barulhento, tinha se transformado em uma grande orquestra sinfônica e parecia que eu era o maestro. O som do silêncio é um refúgio, o som real é o da vida.
Foi então que repentinamente acordei e percebi que tudo aquilo era um sonho e naquele instante disse para mim mesmo.
- Nunca mais uso drogas.

Os acordes e as vozes da catarse

Estou no meu carro, no trânsito em meio a cidade, e para que o tempo voe e o tédio não me consuma decido então ligar o rádio. É quando ouço a seguinte frase de forma cantada  "você fica linda usando qualquer coisa” a melodia é calma e o tom marcante, a interprete é uma mulher de timbre forte, mas não está sozinha uma outra voz feminina lhe acompanha. A emoção daquela canção e as verdades ali ditas me impressionaram. 
Que coisa linda aquele papo "de mulher para mulher". A canção termina surge o intervalo, então eu mudo de estação e eis que uma outra cantora lança ao meu ouvido "deixa mesmo de ser importante, vai deixando a gente pra outra hora e quando se der conta já passou quando olhar pra trás
 já fui embora". Ual! Que poder!  Sabe quando seu coração fica quentinho? Quando alguém diz exatamente o que você pensa? Que experiencia deliciosa, senti vontade de cantar junto e descobrir o que mais elas tinham a dizer. Decidi passear pelas frequências do rádio e constatei o que não é mais segredo: elas estão em todas! 
São Marílias, Naiaras, Maiaras, Maraísas, Simones, Simárias que representam as Joanas, as Camilas, as Julianas representam todas elas, sem exceção! Algumas letras falam da mulher apaixonada que faz loucuras por seu amor, outras retratam a decidida que toma as rédeas da vida e domina todas as situações, fala das amantes, das amadas, das infiéis... Ah e também fala das indecisas que não sabe mais se casam ou continuam com "rolos" rsrsrs. 
Nessa constatação volto a ter novamente aquela sensação gostosa de coração quentinho. A que ponto finalmente chegamos! Afinal  Ela sempre inspirou incontáveis  letras de  música, os acordes recorrentemente acompanhavam dizeres sobre seu corpo,seu jeito, seus “modos”. Culturalmente, durante anos, as canções retrataram a mulher como objeto, propriedade, como um ser submisso, vulnerável ou inferior. Mesmo as renomadas letras da bossa nova exaltavam o corpo, apenas, ou você acha que a "coisa mais linda mais cheia de graça" é a personalidade e o talento daquela menina que vem e que passa? Acredite, ele provavelmente estava falando do bom "balanço" a caminho do mar se é que você me entende.
E agora estamos aqui com elas compondo, cantando e arrebentando com enormes tabus. As cantoras quebram os ridículos padrões até então impostos. Não são magérrimas e pouco ligam para o que dizem do corpo delas, o foco é o conteúdo.As poderosas como num time de heroínas tomaram os microfones, suas doses nos bares, suas decisões nos relacionamentos, nos trabalhos  e começaram passar a limpo nossa história – Cantando. Tais ideais divulgados por ritmos populares, conquistando todas as gerações e ensinando um pouco a versão feminina dos fatos que até então não era notada.E eu vivi pra ouvir isso! Maravilhoso. Trago verdades: não adianta chorar pois não tem mais volta agora é que são Elas dominam as paradas de sucesso e suas mentes, dominam a internet e até aquele tedioso programa dominical da TV elas estão em todas e esse caminho não tem mais volta. Aceita que dói menos e não chora não coleguinha rsrs. Vida longa ao Feminejo. Porque eu adooooroh!  


O dia em que meu pai chorou


Domingo, 16 de dezembro de 2012, uma manhã comum para a maioria dos brasileiros naquele dia. Meu pai sempre foi presente em minha vida e, claro, essa não foi a única vez em que o vi emocionado, mas esse episódio foi diferente. Meu velho me ensinou muita coisa nessa vida, entre elas, o amor ao futebol e, principalmente, ao Sport Club Corinthians Paulista, nosso time do coração.
Esse 16 de dezembro é um dia lembrado por todo amante do futebol, mas, principalmente, para o corinthiano, Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2012, a grande final entre Corinthians x Chelsea da Inglaterra. Esse ano já havia entrado para história do clube paulista com a conquista da Copa Libertadores da América após 102 anos de história, depois de uma campanha invicta.
Se há uma coisa em nossa casa que sempre nos manteve unidos, com certeza, é o futebol, mas naquele ano meu pai estava trabalhando em outra cidade e não tivemos a oportunidade de assistir juntos nenhum dos 14 jogos da campanha da Libertadores. Após o Corinthians se classificar à final do mundial, meu pai me ligou, era sexta-feira e ele me convidou para assistir o jogo em sua casa. Como era no domingo às oito horas da manhã, íamos poder depois de muito tempo acompanhar uma partida de futebol juntos. E pra lá eu fui, cheguei com uma meia hora de antecedência, minha madrasta havia preparado o café, meu pai e um de meus irmãos já estavam acordados e, finalmente, começou o jogo, e que jogo meus amigos.
A atmosfera no estádio de Yokohama era incrível, público de 68.275 expectadores, os loucos haviam invadido o Japão, desse público entre 20 e 30 mil fanáticos corinthianos cruzaram o mundo para apoiar o time, e como eles fizeram a diferença, empurraram o início ao fim, meu pai, meu irmão, eu e os outros quase 30 milhões, torcíamos das casas, bares, clubes. No primeiro tempo, o goleiro corinthiano Cássio se tornou santo, fez milagres, literalmente fechou o gol, em casa quase morríamos do coração, mas não perdíamos a esperança, embora pressionados, seguimos confiantes no time e também no Seu Adenor, o Tite, nosso treinador. Não sei o que ele fez no intervalo para motivar os atletas, mas foi outro time que voltou para o segundo tempo, agressivo, aguerrido, atacou muito mais, a fiel torcida empurrava cada vez mais.
Aos 23 minutos do segundo tempo, me lembro como se fosse hoje, Danilo cortou a marcação e bateu prensado e a bola subiu, subiu, subiu e foi caindo, Paolo Guerrero subiu e de cabeça fez o gol. Gol! O mundo parou. Quase derrubamos a casa, meu irmão e eu, não gritávamos gol, a gente só gritava, acabamos acordando nosso irmão caçula, mas meu pai não, ele ficou paralisado, comemorou, mas queria mesmo que o jogo acabasse. Depois do gol, o time, a torcida só cresceram, Chelsea não tinha reação, até que aos 40 minutos Fernando Torres teve tudo pra fazer o gol de empate, mas o Santo Cássio realizou mais um milagre, o maior de todos, foi então que aos 46’ o Chelsea marcou o gol, nos calamos, sem acreditar naquilo, mas Torres estava em posição de impedimento, comemoramos como se fosse um gol, não tinha mais volta, estávamos há 2 minutos de conquistar o mundo. E, enfim, o árbitro apitou, final de jogo, sim, o bando de loucos conquistou o mundo.
Eu não sabia o que fazer, abracei meus irmãos, gritamos, corremos pela casa, já meu pai se ajoelhou, ergueu as mãos para o céu, agradeceu a Deus, com os olhos cheios d'água, nos abraçou por alguns minutos e voltou para frente da TV para ver a entrega das medalhas e dos troféus, e para disfarçar a emoção, mas ninguém se importava com isso.
Esse dia entrou para história das nossas vidas, dia 16 dezembro de 2012, não só pelo título do Mundial de Clubes do Corinthians, mas porque foi o dia que meu pai chorou.


A sociedade de homens maus


Hoje me fizeram a seguinte pergunta “Vivemos em uma sociedade intolerante ou o ser humano é intolerante?”, tal pergunta me fez pensar por vários minutos para que eu pudesse tentar responde-la, pessoalmente acredito no que o filósofo inglês Thomas Hobbes disse em seu mais famoso livro, O Leviatã “O homem é essencialmente mau”, ele acreditava que o homem que o homem havia nascido mal, não queria se tornar um ser social, só vivemos em uma sociedade intolerante porque o homem é intolerante.
Não quero nesse texto generalizar, muito menos afirmar que não existe ser humano tolerante ou que todos são preconceituosos, pessoalmente acredito que todos sem exceção temos preconceitos embutidos em nós, coisas que às vezes são até mesmo involuntárias, mas cabe a você e mim, tentar limpar nossa mente e nosso coração para tentarmos viver como os animais racionais que deveríamos ser, porque atualmente o Homo-Sapiens é o animal que não raciocina e nem sabe viver em sociedade.
Dói no coração e também na alma saber que o ser humano que foi criado por Deus, ou que tenha evoluído de uma simples bactéria após uma explosão, estar dizimando a própria espécie porque o outro lado não concorda com a sua opinião, é inaceitável, o ser humano não é um assassino e sim um suicida, simplesmente por não aceitar a diversidade. “Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade”, a frase Michel de Montaigne mostra que não é de hoje que existem discordâncias, mas é hoje que não se tolera mais.
Kaique Favarão, um jovem de apenas 22 anos, que saiu de casa para se divertir no carnaval, mas acabou supostamente se afogando, após internado o jovem veio a óbito. No entanto, segundo investigações informações do Rio Sem Homofobia (Programa Social combater a discriminação e a violência contra LGBT e promover a cidadania), o rapaz teria sido encontrado nu e com marcas de agressão no corpo. Kaique um filho que não voltou pra casa, Kaique mais alguém que teve a vida levada, pois alguém discordou dele, simplesmente porque alguém preferiu semear o ódio ao invés de aceitar o próximo.
Em Cascavel o atual prefeito se elegeu após declarações homofóbicas no último debate antes do dia da eleição Leonaldo Paranhos, que na data era deputado estadual, disse que “é contra o casamento gay, mas que respeita os homossexuais, desde que longe de crianças”, mas seria esse o pensamento correto de uma pessoa que governa uma cidade cheia de diversidade?
Até quando vamos tolerar a intolerância? Não só em casos da homossexualidade, a intolerância esta presente também em assuntos antigos, embora talvez esqueçamos que diariamente pessoas ainda sofrem preconceitos pela cor de sua pele, ou pelo seu país de origem. O mundo vive esse mal, os Estados Unidos da América é considerado a maior potência mundial, vive dias de tensão e apreensão devido ao seu presidente Donald Trump e suas declarações repletas de ódio contra as minorias, pessoas que temem o dia de amanhã, o sonho americano está virando verdadeiro um pesadelo para negros e imigrantes.
O Brasil também vive dias assim, a doceira Janete Martins, que mora em Araucária, cidade próxima a Curitiba recebeu carta anônima com ofensas racistas, fato esse que a deixou abalada e necessitou da ajuda de terapeutas para desabafar. Ofensas como essa não atingem só a pessoa que as recebe, atinge uma família, atinge um grupo, uma sociedade e mais uma vez mostrando que o homem está se tornado menos humano.

Assim, reitero a resposta da pergunta que me foi feita, em minha opinião o mal está no ser humano, a sociedade está repleta deles, o pior de tudo isso é que a nós sabemos como acabar com tais problemas,a questão é que parece que fechamos os olhos para isso porque é mais cômodo quer que o problema está sempre no outro e nunca em nós mesmos.

Roteiro


O mundo está cheio de pessoas vazias, vazias de conteúdo, de vontades, de sonhos. Indivíduos murchos como balão em fim de festa. O ar é cinza, sem amor. 
O cardápio de programas e eventos para se participar é amplo, uma infinidade de clubes e barzinhos, no entanto, aos amantes de bons momentos duradouros: lágrimas, pois no extenso aqui fora, o menu não passa de bebida a riso temporário.
Corações estão indo a fundo, o poço que emite as ondas de tum tum é profundo - cabem muitas desilusões lá - agora os amores meu bem, os amores são rasos. 
Já dizia Zygmunt Bauman - sociólogo que abrange temas da modernidade - que na sociedade contemporânea "o amor é líquido", os sentimentos são indefinidos e passageiros. Volto pro poço, e concluo: deve ser por isso que tem tanto amor desperdiçado escorrendo por lá...
Percebo que na atual sociedade, a luta para não se sentir incompleto é constante, e ironicamente, ao passo que vivo, descubro que é preciso ser muito cheio para ser completo sozinho. Caminhamos então para a saída: a guerra de atenção. As regras são claras, quem pode mais - chama menos, responde menos, se importa menos - sofre menos. 
Quão bom era o tempo dos que sentiam: borboletas no estômago, risos bobos, paixão... Uma infinidade de sentimentos que hoje, são sinônimo de falta, falta segurar a mão, falta o beijo na testa, falta carinho. 
A caminhada lado a lado foi tomada pela corrida dos que preferem estar sempre a frente. E nessa de chegar lá, ao que tudo indica, será só uma noite. Só por uma noite: de cama a intensidade. De vontade a gozação. 
No incessante medo de ser marionete, quem ousa brincar com alguém? Todos, talvez. A dúvida é cruel, mas não compensa arriscar para saber a verdade, a dor e a decepção são maiores. Surgem então os modernos termos e concepções: bloqueio, blindagem, defesa. Toque o corpo, mas não chegue perto do coração.
— Ok, texto da cena 5 está completo.
Ao terminar mais um capítulo para o roteiro que pretendo nomear "amores líquidos", peguei minha xícara de chá e sentei-me a frente do computador para ler algumas notícias - é sempre bom estar informada.
Diante de tantas coisas ruins, meus olhos brilharam ao ler uma uma manchete em especial: um casal gay recriou foto 25 anos após a original ser tirada, para que jovens vejam que amor duradouro existe.

"Que lindo!", pensei. Olhei para cima, para a xícara, tomei mais um gole do meu chá, refleti e aliviada constatei: sim, o amor ainda existe.

Males que vem pro bem


Já havia conhecido algumas pessoas que reclamavam da dificuldade de estudar em uma cidade e trabalhar em outra. Eu pensava que não era tão difícil assim, até me encontrar nessa situação. No meu caso, o que me deixava mais ansioso que tudo era sentir o cheiro da sexta-feira no ar. Isso significava voltar para casa e durante dois dias não precisar ir e voltar de uma cidade para outra.
Naquela semana, tudo estava indo muito bem, apesar da carga extra de trabalhos da faculdade. A espera pelo final de semana já não era tão agradável, eu sabia que teria que utilizar esses dois dias de folga para trabalhar e estudar intensamente se quisesse me dar bem ao fim do semestre.
Se coloque no meu lugar, o que seria ideal e te deixaria feliz, estando sobrecarregado de coisas para fazer, não tendo tempo para fazê-las, estando longe de casa, sem o aconchego do lar? Um aumento? Sim, seria muito proveitoso e resolveria alguns problemas. Porém um dia de folga em plena terça-feira cairia bem também. E por incrível que pareça isso aconteceu. Na cidade onde trabalho era feriado municipal, parece que tudo por lá para no dia em que celebram o aniversário da padroeira Nossa Sra. Consolata.
Esse feriado caiu como uma luva para mim. Seria o momento de resolver algumas pendências com o banco, buscar minha namorada no trabalho e, principalmente, fazer os meus trabalhos da faculdade.
07h00 – Toca o despertador. Reluto em sair da cama, mas sabendo do número de atividades que teria pela frente fui forçado a começar o dia.
07h13 – “Paraná gerou mais de 200 mil vagas de emprego nos últimos seis anos”, dizia o jornalista pela TV, enquanto eu tomava café da manhã. Parecia um dia auspicioso, até mesmo as notícias que ultimamente têm sido negativas, estavam apresentando dados promissores.
Eram exatamente 08h42, me lembro bem, fui ligar o computador, era lá que toda a “mágica” iria acontecer. Já estava tudo programado: escrever parte do artigo, diagramar o jornal e depois fazer o cansativo trabalho de Responsabilidade Socioambiental.
- Mãe, acabou a luz? – perguntei com tom de preocupação.
- Não, a TV está ligada. Respondeu ela com irônia.
O computador não ligava. E agora, o que eu faço, é tudo para hoje, está tudo atrasado. Fui pra assistência técnica, estava fechado. Esperei que abrissem, isso aconteceu 09h00. O desespero tomou conta, era o único dia em que eu poderia fazer tudo aquilo. Resolvi ir para faculdade, usar o computador de lá. Para minha surpresa alguém decidiu que os computadores não precisariam ser ligados pela manhã.
Fiquei irritado, desesperado, desacorçoado, estressado. Peguei o carro e...
- Ele está bem? Ouvi ao fundo.
- Afastem-se, afastem-se!.
Era tarde demais para fazer as atividades pendentes. Não tive tempo de ficar totalmente estressado, só o suficiente para chegar ao limite. Meu carro foi atingido em cheio por um caminhão. Hoje, 2 anos depois, já não me irrito com facilidade e não tenho tentos trabalhos para fazer.