quarta-feira, 5 de julho de 2017

Bezerra da Silva tinha razão e a Waleska também

Quando penso que não vou mais me surpreender com a situação política do Brasil é aí que eu me surpreendo. Eu não esperava chegar em casa em uma noite de quarta-feira e me deparar com a notícia da delação do cara da Friboi.
Joesley Batista é nome dele. Um dos bilionários brasileiros entregou o atual presidente da República, Michel Temer, em delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. Divulgando uma gravação feita em 7 de março de 2017, de um diálogo, o lutador-presidente (sabe dar bons golpes), pedindo a "compra do silêncio" de Eduardo Cunha, que havia sido preso naquela operação, além de fazer metade da família do Aécio Neves ser preso. O mineirinho só não está atrás das grades porque o Fachin não quis, mas é questão de tempo.
Quem diria que no meio de tantos jornalistas, cientistas políticos, sociólogos e historiadores, a pessoa que consegue explicar a situação do país, no momento, é a nossa pensadora contemporânea Waleska – A Popozuda – Por aqui, “é só tiro, porrada e bomba”. E não vai acabar.
Joesley não é um herói, que fique claro, ele tem que pagar pelos atos como os outros, mas, graças a ele, eu consigo depois de muito tempo ver um pequeno raio de luz no fim do túnel. A esperança respira, ainda com ajuda de aparelhos, mas está melhor. Que todos os culpados sejam punidos.
Bezerra da Silva estava certo “se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”, e do jeito que está, não demora para esse dia chegar. O último apague a luz.


O dia em que meu pai chorou


Domingo, 16 de dezembro de 2012, uma manhã comum para a maioria dos brasileiros naquele dia. Meu pai sempre foi presente em minha vida e, claro, essa não foi a única vez em que o vi emocionado, mas esse episódio foi diferente. Meu velho me ensinou muita coisa nessa vida, entre elas, o amor ao futebol e, principalmente, ao Sport Club Corinthians Paulista, nosso time do coração.
Esse 16 de dezembro é um dia lembrado por todo amante do futebol, mas, principalmente, para o corinthiano, Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2012, a grande final entre Corinthians x Chelsea da Inglaterra. Esse ano já havia entrado para história do clube paulista com a conquista da Copa Libertadores da América após 102 anos de história, depois de uma campanha invicta.
Se há uma coisa em nossa casa que sempre nos manteve unidos, com certeza, é o futebol, mas naquele ano meu pai estava trabalhando em outra cidade e não tivemos a oportunidade de assistir juntos nenhum dos 14 jogos da campanha da Libertadores. Após o Corinthians se classificar à final do mundial, meu pai me ligou, era sexta-feira e ele me convidou para assistir o jogo em sua casa. Como era no domingo às oito horas da manhã, íamos poder depois de muito tempo acompanhar uma partida de futebol juntos. E pra lá eu fui, cheguei com uma meia hora de antecedência, minha madrasta havia preparado o café, meu pai e um de meus irmãos já estavam acordados e, finalmente, começou o jogo, e que jogo meus amigos.
A atmosfera no estádio de Yokohama era incrível, público de 68.275 expectadores, os loucos haviam invadido o Japão, desse público entre 20 e 30 mil fanáticos corinthianos cruzaram o mundo para apoiar o time, e como eles fizeram a diferença, empurraram o início ao fim, meu pai, meu irmão, eu e os outros quase 30 milhões, torcíamos das casas, bares, clubes. No primeiro tempo, o goleiro corinthiano Cássio se tornou santo, fez milagres, literalmente fechou o gol, em casa quase morríamos do coração, mas não perdíamos a esperança, embora pressionados, seguimos confiantes no time e também no Seu Adenor, o Tite, nosso treinador. Não sei o que ele fez no intervalo para motivar os atletas, mas foi outro time que voltou para o segundo tempo, agressivo, aguerrido, atacou muito mais, a fiel torcida empurrava cada vez mais.
Aos 23 minutos do segundo tempo, me lembro como se fosse hoje, Danilo cortou a marcação e bateu prensado e a bola subiu, subiu, subiu e foi caindo, Paolo Guerrero subiu e de cabeça fez o gol. Gol! O mundo parou. Quase derrubamos a casa, meu irmão e eu, não gritávamos gol, a gente só gritava, acabamos acordando nosso irmão caçula, mas meu pai não, ele ficou paralisado, comemorou, mas queria mesmo que o jogo acabasse. Depois do gol, o time, a torcida só cresceram, Chelsea não tinha reação, até que aos 40 minutos Fernando Torres teve tudo pra fazer o gol de empate, mas o Santo Cássio realizou mais um milagre, o maior de todos, foi então que aos 46’ o Chelsea marcou o gol, nos calamos, sem acreditar naquilo, mas Torres estava em posição de impedimento, comemoramos como se fosse um gol, não tinha mais volta, estávamos há 2 minutos de conquistar o mundo. E, enfim, o árbitro apitou, final de jogo, sim, o bando de loucos conquistou o mundo.
Eu não sabia o que fazer, abracei meus irmãos, gritamos, corremos pela casa, já meu pai se ajoelhou, ergueu as mãos para o céu, agradeceu a Deus, com os olhos cheios d'água, nos abraçou por alguns minutos e voltou para frente da TV para ver a entrega das medalhas e dos troféus, e para disfarçar a emoção, mas ninguém se importava com isso.
Esse dia entrou para história das nossas vidas, dia 16 dezembro de 2012, não só pelo título do Mundial de Clubes do Corinthians, mas porque foi o dia que meu pai chorou.


Além do gene


O modelo antigo familiar está em crise. Isto é, o modelo padrão, imposto e enraizado pelas ciências biológicas, sociais e antropológicas está a ruir. E o que temos de errado nisso? Nada. O formato de família onde se encontram pai, mãe e a prole unicamente nunca existiu.
Ainda no século XIX o casamento monogâmico era pouco comum, ao contrário do matrimônio poligâmico, aceito e praticado nas civilizações antigas. Durante a idade média, os homens eram costumados a passar longas temporadas ausentes dos lares, locais onde normalmente deixavam as esposas e os filhos. É válido lembrar, que ainda na Mesopotâmia a prostituição surgiu, deste modo, muitas famílias “informais” foram constituídas.
Falar sobre padrões na atual sociedade é equivocar-se a respeito dos aspectos sociais contemporâneos. De acordo com Zygmunt Bauman, – pensador e sociólogo que abrange estudos sobre a modernidade – estamos em compassos líquidos, tudo é raso, e nada é duradouro, não existem mais moldes, e o que era firmado escorre feito água, completamente contrário ao estado de solidez determinado pela antiga representação congênita. Mencionar modelo familiar em pleno século XXI é um erro exorbitante.
Menos da metade das famílias brasileiras atualmente são constituídas no antigo modelo familiar. Deste número, não é destacado as variantes de adultérios, normalmente permanecendo ocultas por trás do “padrão” pai mãe e filho, mas que de mesmo modo, quebram totalmente a classificação “honrosa” da tríade familiar imposta.
Nos anos da “contracultura” coletiva hippie, os movimentos buscavam pregar o amor universal, sentimento afetivo que poderia ser praticado por todos e para com qualquer gênero. As novas representações familiares não estão constituídas com bases na sexualidade. Não se trata apenas de casais homossexuais adotarem crianças e formarem o tronco familiar – o que não deixa de ser estonteante –. Pelo menos mais de 50% das famílias no Brasil tem pilares onde mãe e filha, a exemplo, constroem o tão mencionado “lar”, avós ou até mesmo padrinhos participam efetivamente da construção parental. Família, família, pode ser papai, mamãe e titia sim! O padrão nunca existiu, reveja os conceitos.  

Bomba Atômica de Cascavel

As obras do Programa de Desenvolvimento Integrado (PDI) estão longe de ser uma catástrofe mundial, entretanto a metáfora é cabível, pois em Hiroshima e Nagasaki os efeitos dos atentados foram instantâneos e perduram por décadas, tal como as obras iniciadas em Cascavel, que de imediato geraram transtornos à população, prejuízo ao comércio e, por muitos anos, assombrarão as contas públicas do município.
E quem ficou satisfeito com as obras? A empresa que a realizou, certamente! Porém, os cascavelenses não andam com tranquilidade. Quem faz uso do transporte público está insatisfeito e grande parte dos motoristas também. Reflexo da ausência de uma consulta pública, a população sequer foi instigada a sugerir mudanças necessárias.
Só o projeto inicial da Avenida Brasil estava orçado em R$ 41 milhões e custou R$ 69 milhões. Vale lembrar que todas as obras do PDI custariam R$ 70 milhões, mas de acordo com o último balanço, apresentado em novembro, custará R$ 150 milhões. E a situação ainda piora, pois para não elevar ainda mais os custos cinco parques ambientais e quatro centros de convivência não serão construídos, ou seja, o custo dobrou e o projeto ficou incompleto.
Reza a lenda que as obras foram projetadas para incentivar o uso do transporte público, revitalizar a cidade, impulsionar o comércio e melhorar o fluxo de veículos. Entretanto, foram meses de interdições, milhões de reais investidos e hoje a condição do transporte público continua ruim e dirigir o tornou-se um teste de paciência.
Os motoristas estão desorientados pela falta de sinalização que afeta também os pedestres; os passageiros do transporte público ainda esperam a nova frota e as novas rotas, que justificariam algumas alterações da Avenida Brasil. Lamentável, mas é preciso dizer: ônibus algum trafegará pela Avenida Brasil tão cedo. A previsão é de que isso ocorra apenas no fim de 2018.

E os comerciantes que têm esperança de que as reformas deem um bom retorno recuperando um pouco do que se perdeu de abril a novembro do ano passado é melhor que baixem suas expectativas: pelo andar da carruagem aqui no “velho Oeste” é melhor esperar e ver para crer.

A sociedade de homens maus


Hoje me fizeram a seguinte pergunta “Vivemos em uma sociedade intolerante ou o ser humano é intolerante?”, tal pergunta me fez pensar por vários minutos para que eu pudesse tentar responde-la, pessoalmente acredito no que o filósofo inglês Thomas Hobbes disse em seu mais famoso livro, O Leviatã “O homem é essencialmente mau”, ele acreditava que o homem que o homem havia nascido mal, não queria se tornar um ser social, só vivemos em uma sociedade intolerante porque o homem é intolerante.
Não quero nesse texto generalizar, muito menos afirmar que não existe ser humano tolerante ou que todos são preconceituosos, pessoalmente acredito que todos sem exceção temos preconceitos embutidos em nós, coisas que às vezes são até mesmo involuntárias, mas cabe a você e mim, tentar limpar nossa mente e nosso coração para tentarmos viver como os animais racionais que deveríamos ser, porque atualmente o Homo-Sapiens é o animal que não raciocina e nem sabe viver em sociedade.
Dói no coração e também na alma saber que o ser humano que foi criado por Deus, ou que tenha evoluído de uma simples bactéria após uma explosão, estar dizimando a própria espécie porque o outro lado não concorda com a sua opinião, é inaceitável, o ser humano não é um assassino e sim um suicida, simplesmente por não aceitar a diversidade. “Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade”, a frase Michel de Montaigne mostra que não é de hoje que existem discordâncias, mas é hoje que não se tolera mais.
Kaique Favarão, um jovem de apenas 22 anos, que saiu de casa para se divertir no carnaval, mas acabou supostamente se afogando, após internado o jovem veio a óbito. No entanto, segundo investigações informações do Rio Sem Homofobia (Programa Social combater a discriminação e a violência contra LGBT e promover a cidadania), o rapaz teria sido encontrado nu e com marcas de agressão no corpo. Kaique um filho que não voltou pra casa, Kaique mais alguém que teve a vida levada, pois alguém discordou dele, simplesmente porque alguém preferiu semear o ódio ao invés de aceitar o próximo.
Em Cascavel o atual prefeito se elegeu após declarações homofóbicas no último debate antes do dia da eleição Leonaldo Paranhos, que na data era deputado estadual, disse que “é contra o casamento gay, mas que respeita os homossexuais, desde que longe de crianças”, mas seria esse o pensamento correto de uma pessoa que governa uma cidade cheia de diversidade?
Até quando vamos tolerar a intolerância? Não só em casos da homossexualidade, a intolerância esta presente também em assuntos antigos, embora talvez esqueçamos que diariamente pessoas ainda sofrem preconceitos pela cor de sua pele, ou pelo seu país de origem. O mundo vive esse mal, os Estados Unidos da América é considerado a maior potência mundial, vive dias de tensão e apreensão devido ao seu presidente Donald Trump e suas declarações repletas de ódio contra as minorias, pessoas que temem o dia de amanhã, o sonho americano está virando verdadeiro um pesadelo para negros e imigrantes.
O Brasil também vive dias assim, a doceira Janete Martins, que mora em Araucária, cidade próxima a Curitiba recebeu carta anônima com ofensas racistas, fato esse que a deixou abalada e necessitou da ajuda de terapeutas para desabafar. Ofensas como essa não atingem só a pessoa que as recebe, atinge uma família, atinge um grupo, uma sociedade e mais uma vez mostrando que o homem está se tornado menos humano.

Assim, reitero a resposta da pergunta que me foi feita, em minha opinião o mal está no ser humano, a sociedade está repleta deles, o pior de tudo isso é que a nós sabemos como acabar com tais problemas,a questão é que parece que fechamos os olhos para isso porque é mais cômodo quer que o problema está sempre no outro e nunca em nós mesmos.

A justiça é justa?



Você acredita quem vivemos em um país justo? Confesso que até o dia de hoje eu realmente acreditava que existia uma luz no fim do túnel, mas parece que ela está se apagando de vez. Ao que tudo indica nossa nação caminha para dias onde a justiça parece estar se tornando cada vez mais injusta. Dia 24 de fevereiro de 2017, uma sexta-feira que normalmente traz no ar a alegria do findar de uma semana cansativa no trabalho e nos estudos e o início de um fim de semana para o descansarmos ao lado da família e dos amigos nos trouxe dessa vez um vento de incerteza.
No mesmo dia a Justiça Brasileira concedeu habeas corpus a dois condenados por crimes graves, o pecuarista cascavelense Alessandro Meneghel condenado a 34 anos de prisão pela morte de um policial federal em Cascavel, Meneghel, conseguiu liminar menos de dois dias depois de o júri popular tê-lo condenado, e Bruno Fernandes de Souza, o goleiro Bruno ex-goleiro do Flamengo que recebeu habeas corpus que permite que o jogador recorra em liberdade da condenação pelo sequestro, morte e ocultação do cadáver da modelo Eliza Samudio, onde foi condenado por 22 anos de prisão e cumpriu pouco mais de quatro anos.
Indignado, pergunto: Isso é justiça? Se isso for justiça o amanhã será muito difícil, os detentos que não fogem , são libertados pela justiça. Como diz a trecho da música “Jack Soul Brasileiro” do cantor Lenine “O país do swing é o país da contradição”, a balança da justiça brasileira está desequilibrada e pendendo para o lado de quem tem maio poder aquisitivo. O símbolo da justiça que mais se encaixa nos dias de hoje é da cegueira, mas com um significado diferente do original a justiça hoje parece enxergar só o quer ver e só quando quer ver, pois é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida.
O Brasil está na lista das nações que mais violam os direitos humanos. É um título que nenhum país quer ter em sua galeria, mas diariamente acordamos com notícias que nos espantam que vão desde corrupção até os maiores crimes hediondos possíveis, todos refletidos por um comportamento que há no ser humano, direitos humanos que por aqui, deviam ser chamados de Direito dos Bandidos.
A Justiça Brasileira parece punir com rigor só o cidadão pobre, aquele da expressão popular “ladrão de galinha”, esse sim é punido com anos e anos de cadeia, não estou aqui defendendo a que pessoa que cometeu um delito não tenha que pagar pelo que fez, mas a justiça não pode usar dois pesos e duas medidas e apenas defender o cidadão com mais dinheiro, pois realmente é isso que parece que está acontecendo. Um país onde os políticos e governantes desviam bilhões de reais em dinheiro público que deviam ser destinados a saúde, educação, segurança, usado para tirar o nossa nação da situação atual que se encontra.
É inaceitável, uma nação que tem em seu hino escrito que “O filho teu não foge a luta” não pode cruzar os braços e deixar que dois assassinos condenados andem nas ruas livremente sem terem cumprido a pena necessária para poderem estar novamente reintegrados a sociedade, esquecer por um instante os panelaços políticos e protestar por uma justiça igual para todos. Temos que fazer algo urgente, se antes protestávamos por 20 centavos hoje devemos protestar por algo que realmente tem valor, o gigante que havia acordado, para que voltou a dormir, cabe a nós despertá-lo.
Por fim relembro aqui o ditado popular “Pau que bate em Chico tem que bater em Francisco” a justiça não pode valer apenas para um lado, não pode só valer para quem pode pagar um bom advogado, ela tem quer ser como na definição feita pelo dicionário Aurélio: “tem que praticar o que é de direito”, seja rico ou pobre, homem ou mulher, negro ou branco, você ou eu.

Roteiro


O mundo está cheio de pessoas vazias, vazias de conteúdo, de vontades, de sonhos. Indivíduos murchos como balão em fim de festa. O ar é cinza, sem amor. 
O cardápio de programas e eventos para se participar é amplo, uma infinidade de clubes e barzinhos, no entanto, aos amantes de bons momentos duradouros: lágrimas, pois no extenso aqui fora, o menu não passa de bebida a riso temporário.
Corações estão indo a fundo, o poço que emite as ondas de tum tum é profundo - cabem muitas desilusões lá - agora os amores meu bem, os amores são rasos. 
Já dizia Zygmunt Bauman - sociólogo que abrange temas da modernidade - que na sociedade contemporânea "o amor é líquido", os sentimentos são indefinidos e passageiros. Volto pro poço, e concluo: deve ser por isso que tem tanto amor desperdiçado escorrendo por lá...
Percebo que na atual sociedade, a luta para não se sentir incompleto é constante, e ironicamente, ao passo que vivo, descubro que é preciso ser muito cheio para ser completo sozinho. Caminhamos então para a saída: a guerra de atenção. As regras são claras, quem pode mais - chama menos, responde menos, se importa menos - sofre menos. 
Quão bom era o tempo dos que sentiam: borboletas no estômago, risos bobos, paixão... Uma infinidade de sentimentos que hoje, são sinônimo de falta, falta segurar a mão, falta o beijo na testa, falta carinho. 
A caminhada lado a lado foi tomada pela corrida dos que preferem estar sempre a frente. E nessa de chegar lá, ao que tudo indica, será só uma noite. Só por uma noite: de cama a intensidade. De vontade a gozação. 
No incessante medo de ser marionete, quem ousa brincar com alguém? Todos, talvez. A dúvida é cruel, mas não compensa arriscar para saber a verdade, a dor e a decepção são maiores. Surgem então os modernos termos e concepções: bloqueio, blindagem, defesa. Toque o corpo, mas não chegue perto do coração.
— Ok, texto da cena 5 está completo.
Ao terminar mais um capítulo para o roteiro que pretendo nomear "amores líquidos", peguei minha xícara de chá e sentei-me a frente do computador para ler algumas notícias - é sempre bom estar informada.
Diante de tantas coisas ruins, meus olhos brilharam ao ler uma uma manchete em especial: um casal gay recriou foto 25 anos após a original ser tirada, para que jovens vejam que amor duradouro existe.

"Que lindo!", pensei. Olhei para cima, para a xícara, tomei mais um gole do meu chá, refleti e aliviada constatei: sim, o amor ainda existe.